Os seres humanos têm se fascinado pelos animais e pelos seus atributos desde sempre. São fontes de inspiração, admiração, medo e reverência para as diversas culturas e civilizações que habitam o planeta. Não é de se estranhar, portanto, que muitas religiões e mitologias tenham criado divindades com características ou formas animais, ou que se transformam em animais. Essas divindades zoomórficas (com forma de animais) revelam aspectos importantes da relação entre espécies, bem como da visão de mundo e dos valores de cada povo, como os antigos egípcios, maias, hindus.
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| Ganesha |
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| Anubis |
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| Quetzalcoatl |
Tal fenômeno também ocorre, mesmo em menor frequência, no cristianismo. Como exemplos temos a pomba do Espírito Santo, a expressão "Cordeiro de Deus" ou "Leão de Judá". Entretanto por ser declaradamente monoteísta, o cristianismo nega em sua base outros deuses - zoomórficos ou não - o que não impede que seus seguidores adotem posturas diversas como veremos a seguir.
Quem é o bom menino?
O cenário era o século XIII e a Igreja católica já havia iniciado os movimentos de Cruzadas, diversificou suas ordens religiosas com a criação das ordens mendicantes no combate às heresias e fortalecimento de suas bases para se contrapor ao surgimentos dos cátaros e valdenses, a Inquisição era uma realidade e sua vigilância era constante. Um dos primeiros inquisidores, Étienne de Bourbon, atuava na França como pregador geral e historiador de heresias medievais com a maior coleção de anedotas usadas nas pregações como régua moral. Em um tratado sobre superstições ele relata o culto a São Guinefort em Lyon e o denuncia como idolatria.
Em resumo: São Guinefort foi um galgo que viveu no século 13 na França. Ele pertencia a um cavaleiro que o deixou cuidando de seu filho bebê enquanto saía para caçar. Quando voltou, encontrou o berço revirado e o cão com sangue na boca. Pensando que ele havia devorado o bebê, o cavaleiro o matou com sua espada. Mas logo descobriu que o bebê estava vivo e que o sangue era de uma cobra venenosa que o cão havia matado para protegê-lo. Arrependido, o cavaleiro enterrou o cão em um poço e plantou um bosque ao redor, fazendo um santuário em sua homenagem. Os camponeses da região começaram a visitar o local honrando o cão como um mártir e, buscando intercessão divina, "santificaram" o animal.
E Bourbon encerra "Fomos a este lugar, reunimos todas as pessoas da propriedade e pregamos contra tudo o que havia sido dito. Desenterrámos o cão morto e cortamos e queimamos a madeira sagrada, juntamente com os restos mortais do cão. E fiz com que um édito fosse aprovado pelos senhores da propriedade, alertando que qualquer pessoa que, dali em diante, fosse para aquele lugar por qualquer motivo desse tipo, estaria sujeita a ter seus bens confiscados e depois vendidos."
Tal prática venceu a proibição eclesial e foi praticada até o século XX.
Fontes:





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